Cotidianos IX – Uma História de Família
Numa tarde quente na Sala de Interrogatório da Delegacia de Polícia de uma cidade à margem da BR-364, Região Norte do Brasil, um Delegado tentando ser paciente com um detido renitente, perguntava pela enésima vez: -Senhor Bartolomeu, para registro, o senhor precisa dizer o seu nome completo, e após o quê, o senhor precisa me contar, em detalhes, essa história do senhor ameaçar a vida daqueles homens, lá porta da Sede da sua Fazenda. O detido permanecia mudo como uma porta. Por fim, o advogado que o acompanhava, depois de pedir ao Delegado se ele concedia um minuto a sós com o seu constituinte, conseguiu convencer o teimoso detido a colaborar com o interrogatório do inquérito instaurado semanas antes. -Intonce... Apôis, “Seu” Delegado! Vô cuntá tudo, tim tim pur tim tim... Mas i’eu digo pru sinhô, qui num amiacêi ninguém naum, num sabe? -Como não, Senhor Bartolomeu? Se até o padre, que estava lá no terreiro da Fazenda, negociando a desocupação das terras, testemunhou...