Saudades do Bem Querer
Saudades do Bem Querer (*) Lurdes de Maria estava encantada com tantas luzes. Tantas bandeirolas coloridas... Amarelas, verdes, azuis, brancas e vermelhas. Tantas bancas com comidas de todos os tipos. Tinha vatapá, caruru e acarajé na banca da baiana Magé, negra bonachona, sempre com os dentes branquíssimos à amostra no sorriso alegre... Espetinho de carne e de queijo, e de piaba frita na banca do “Seu” Tuím... Mugunzá, canjica, pé-de-moleque e tapioca na banca da “Dona” Zazá... Tacacá, galinha picante e pato-no-tucupi na banca de “Dona” Benta, mãe de Zezinho... Arri’égua! E Zezinho? Por onde andará? Lurdes de Maria com os olhos brilhando, parada no meio da quermesse montada no campo de futebol do Distrito de Calama, da cidade de Porto Velho dos anos mil novecentos e setenta, avaliava tudo ao seu redor. A felicidade era tanta, que pegara escondido um foguete da caixa de seu pai e, desobedecendo as recomendações dele, acendera e soltara o foguete... Era sempre assim... Q...