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Mostrando postagens de agosto, 2015

A Cheia

A Cheia. Tudo começou logo depois do almoço. Seu Nhozinho, nos avançados oitenta e dois anos, estava a sentado em um tamborete na varanda de uma casinha simples perdida em meio ao bananal que margeava a várzea do Rio Madeira. Os olhos cobertos de rugas olhavam para o nada, perdidos em mundos que os filhos não entendiam mais. Há tempos o velho Nhozinho não falava coisa com coisa, quando falava... Na maior parte do tempo, ele ficava sentado no tamborete pegando a fresca na varanda, calado e taciturno. Raramente abria a boca para comentar alguma coisa. O velho Nhozinho fazia parte da mobília, paupérrima, largada no alpendre da casa de madeira erguida sobre jiraus. O que deixava com aparência de ave pernalta. O neto caçula, um menino de quatorze anos, percebeu com o tempo, que o velho Nhozinho quando falava coisas estranhas, aparentemente sem sentido... Lá na frente, quem prestasse atenção ou lembrasse do comentário esquisito que o velho tinha falado há dias, semanas ou mesmo ...