Correndo Atrás do Próprio Rabo.
Gilson Macedo Dias
Primeiro você comprava no armazém de secos e molhados ou na taberna e o dono do estabelecimento já tinha o caderno, cada folha com o nome do " pindurante". Relação de absoluta confiança entre as partes. Não tinha serviço de proteção ao crédito, muito menos protesto em cartório. Advogado pra essa causa , nem pensar. Se no dia do pagamento não viesse saldar a caderneta passava o mês só à água, não tinha nem o pão.
Foi quando apareceu o sr. Cheque. Quem tinha um talão gozava de ilibada reputação. Tinha taberna que não aceitava di nheiro, só cheque. O status do cheque estava no tôpo da pirâmide. E quem tinha o especial? Comprava tudo. Pagava conta no buteco, local onde se reuniam grandes homens de negócio, portadores de cheque.
O cheque chegou ao seu apogeu quando inventaram a figura do "pré-datado". Servia como garantia para grandes negócios como compra de casa e imóveis, substituia a desgastada Nota Promissória. Mas a popularização do cheque o.levou também à sua derrocada. Todo mundo tinha talão e na hora da ostentação ninguém queria saber se tinha lastro ou não.Ficou desmoralizado. Restaurantes exibiam painéis com uma galeria de cheques sem fundos, expondo seus emissores estelionatários à curiosidade popular. Foi declinando até ser humilhado publicamente em todos os estabelecimentos comerciais com o aviso postado: "não aceitamos cheque". Quantos BO's não ocorreram até a sua total marginalização. Hoje não é mais produto que os bancos ofereçam aos seus clientes. Está em extinção. É um mico (leão dourado). Surgiu o abençoado CARTÃO DE CRÉDITO, onde você pode parcelar suas compras em qualquer estabelecimento comercial. Posto de gasolina é bem aceito.
Mas...
Já se começa a se sentir uma discriminaçãozinha em relacão à este dinheiro plastificado. Primeiro o aparecimento de seu primo-rico, o Cartão de Débito. Já há locais que só aceitam este, dada à sua rápida conversão em espécie. As coisas estão se transformando e evoluindo muito rápido.
Mas....
peraí...
acompanhando essa velocidade digital, sinto um retrocesso no ar...
Estabelecimentos comerciais com descontos e promoções. "Só no dinheiro". Posto de gasolina dá dois centavos de desconto, como promoção, mas "no dinheiro".
E na periferia a prática das cadernetas só para os conhecidos e vizinhança começa a crescer. Mas com certeza, se não honrar seus compromissos a punição é mais severa que no passado.
Assim caminha a humanidade. Como cachorro correndo atrás de seu próprio rabo.
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